Um ano depois: uma análise do último ACT Copel

*com dados da FIPE, Politize! e Agência Brasil

A negociação, pelos sindicatos, do ACT 2020/2022 Copel teve como uma de suas principais características e avanços a sua duração: em um cenário de incertezas à época, agravado pela deterioração das condições econômicas e sociais em todo o Brasil, pela aceleração dos processos de privatização no setor elétrico (como a entrega da CEEE por um valor irrisório pelo governo Eduardo Leite e o escândalo da privatização da Eletrobrás pelo governo federal) e pela crise de energia que se avizinha a passos cavalares, com apagões no horizonte próximo e aumentos estratosféricos no valor das bandeiras, fomos bem-sucedidos em poder negociar um acordo com vigência maior e que garantiu, para eletricitárias e eletricitários de todo o estado, um reajuste de salários e benefícios no valor de 100% do INPC.

Considerando que a inflação, de acordo com todos os indicadores econômicos, não apenas está subindo como não deve ceder a curto prazo, a manutenção, ainda que parcial, do poder de compra dos salários já se configura em uma conquista de imensa importância. Conforme pesquisa FIPE, a média dos reajustes negociados em 2021 ficou cerca de 1,6% abaixo do INPC acumulado nos últimos 12 meses (cerca de 9,2%). De acordo com o diretor do projeto Salariômetro (FIPE) e professor de Economia da USP, Hélio Zylberstajn, não há perspectiva de melhora dos índices inflacionários a curto prazo: "A previsão é que os trabalhadores continuem sem ganhos reais por um longo tempo. Para essa realidade começar a mudar, o país precisa voltar a crescer e reduzir a inflação. A perspectiva no mercado de trabalho está muito preocupante", declara.

Abono

Outra conquista do último ACT foi a manutenção do abono salarial para o ano de 2021. No aniversário do acordo, cada eletricitário receberá um adicional no valor de 0,3 remuneração + R$ 4.200,00. Com o aumento desenfreado de preços que esfola o bolso da população (o litro de gasolina passa de R$ 7,00 em vários estados brasileiros, assim como desde o início da pandemia e o descontrole político-econômico no país, o preço do óleo de soja subiu 87,89%, o arroz ficou 69,80% mais caro e a batata passou custar 47,84% a mais, impactando principalmente as famílias mais humildes) e o desemprego de mais de 14 milhões de pessoas, esse valor a mais certamente desafoga um pouco o caixa de cada trabalhador e trabalhadora.

A importância da negociação pelo sindicato

O balanço deste primeiro ano de vigência do acordo mostra a importância da união da categoria e da negociação firme realizada pelos sindicatos na defesa do SEU interesse. Por isso é importante que sigamos juntos, com seu apoio e suporte, nesta jornada. Para dar condições aos sindicatos de lutarem por mais conquistas para você trabalhador ou trabalhadora, é necessário que você nos ajude, mantendo sua taxa assistencial. É ela que nos permite ter condições de realizar as assembleias, contratar assessoria econômica e jurídica para as negociações e mobilizar a estrutura necessária para o processo negocial. Em um período como o atual, no qual a classe trabalhadora está sob constante ataque, a união é fundamental para protegermos você. O seu apoio às entidades sindicais neste momento difícil, no qual os custos se avolumam e os recursos são estrangulados, é um apoio a você mesmo, pois o nosso trabalho é todo feito para garantir o direito e a defesa do trabalhador e da trabalhadora. A taxa assistencial será creditada aos sindicatos no mês de outubro. Os sindicatos do CSMEC abrirão prazo para as cartas de oposição do período 2021/2022 entre 15 a 24/09, mas reforçamos a importância de sua participação e apoio.

A taxa assistencial é um investimento que você faz na garantia dos seus direitos. Só neste ano, isso já assegurou, entre outras coisas, seu abono salarial e a reposição integral do INPC no seu salário. Invista agora em seus direitos para garantir as melhores condições de negociação no futuro.

Vamos juntos!